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Prova de Fato

  • 30 de dez. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de mar.


Sinopse Os auditores Nihil Ultra e Audite Nova acompanham o ciclo completo de procedimentos para uma configuração espectral do contador, a rotina de conformação de um protonauta a uma sede detectável.


Depois de alguma relutância, e ao mesmo tempo uma mistura de curiosidade e ansiedade, o contador decide participar de um experimento de transferência de vulto.


O objetivo da transferência é aprofundar os estudos sobre concepções, intensamente debatidas pelos kyneaztaz e kryptykoz, a respeito de um suposto e possível estatuto fenomenológico do inexversus, e que os arquitextores decidem testar com o uso de recentes aprimoramentos na tecnologia de transferência de vultos, os seres espectrais.


A grande expectativa, ou talvez temor, recai sobre a possibilidade de monitoria e, eventualmente, de resgate, uma vez que o emergente ser espectral não seja suscetível a esse nível de controle e domínio externo, muito menos de acesso à autoconsciência do protonauta. Entre outros fatores, porque nem sempre, ou quase nunca, a sede perceptual é um destino certeiro. As múltiplas coordenadas espectro-perceptuais, que vislumbram a mirada das sedes do inexversus, determinam não apenas uma eventual localização espaço-temporal, mas também níveis diversos de energia e de elementos de variadas conformações físicas, interações, biossínteses.


Submetida a uma confecção experimental de energiaria táxtil de grande incerteza, a monitoria muitas vezes não conta com recursos apropriados, plurais e diversificados, para enfrentar as eventuais imposições sensoriais às quais o protonauta estará sujeito. O único instrumento garantidor com dose razoável de confiabilidade é a possibilidade de um imaginário diálogo com uma espécie de alter ego, ou um contraponto de alteridade. O que acontece amiúde por representações estéticas, em que formas decodificam signos mais complexos da realidade perceptual da sede destino.




ATA DE LANÇAMENTO


Pareceres, previsões, orientações dos arquitextores, em mesa redonda no gabinete da Coxia, em Cine Inex.



Tema 01 - ERA UMA VEZ


O roteiro do protonauta contador


Tema 02 - DE OLHO NA TELA


Tema 03 - A NOITE AMERICANA


Tema 04 - PERSONA


Tema 05 - LIMITES


Tema 06 - NA TRILHA DA MÚSICA


Tema 07 - CAFÉ SOCIETY


Tema 08 - LINHA DE MONTAGEM


Tema 09 - ASSINATURAS


Tema 10 - THAT´S ENTERTAINMENT!


Tema 11 - THE TALK OF THE TOWN


Tema 12 - ESCOLA DE CINEMA






ANTES DO LANÇAMENTO



INTRÓITO


Sempre é, assim dizdiziadesdizia o poeta do século vinte e um. Citacitoucitava Chopin, o músico do século dezenove.


Sempre é tarde o futuro da manhã. Assim dizdissedesdisse o poeta do século vinte e um. Recitarrecitariarrecitará o monge anônimo do século doze.


Nunca é, assim dizdirádesdirá o poeta do século vinte e um. Citacitariacitará Chopin, o músico do século dezenove.


Nunca é tarde a espera do amanhã. Assim dizdissedesdisse o poeta do século vinte e um. Recitarrecitariarrecitará o monge anônimo do século doze.


Não é ao pé da letra.

Nunca é. Sempre é.

Sempre é. Nunca é.

A metáfora.

Ou outra figura qualquer.

E assim é com a prova de fato.

Vista o traje. Faça o trajeto. E siga a senda.

É assim, pois.

De facto.




À TARDE SONHAMOS. E À NOITE...?



Um poetista do século vinte e um joga um laço cruzado sobre um prelúdio do romântico Chopin e um hino de um anônimo monge medieval.


O poesofista reflete sobre o tempo. A impossível cronometria da natureza, que desconhece relógios. A insondável percepção da memória, que constrói o antes e o depois. A iniludível constatação das mudanças, que imprime as marcas da idade.


O filopoensador indaga se o mistério se oculta na penumbra das sedes perceptuais da realidade.


E o poeta recolhe o laço que se fecha tardiamente como uma canção para recordar, numa cinematográfica cena em que à noite sonhamos.


Ou... à tarde?






O poeta ajeita o laço, ajusta o nó que enlaça as asas da borboleta, e se concentra. Logo, qual ser espectral, adentra a via de acesso à sede perceptual de sua vivência em distante e distinto campo do inexversus.




SOB O DOMÍNIO DO FATO.


Era para ser a alfaiataria dos advogados. Juízes. E é. Terminou por ser. O fórum na esquina, ao lado. Em frente, do outro lado da praça, a câmara legislativa. Vereadores, também clientes. O nome de fantasia, a denominação predominante de uma certa teoria jurídica ainda em elaboração. Ao criar uma acirrada polêmica entre os juristas, repercutindo nos jornais da época, ganha popularidade. Até vira bordão. Tu não sabe nada. Não tem domínio do fato. E por aí vai.

























































 
 
 

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